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capa-60Narrativas sobre síndrome de Down no Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência Assim Vivemos (artigo, 2017)

Interface – Comunicação, Saúde, Educação

O Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência Assim Vivemos acontece bienalmente no Brasil desde 2003. Busca engajar a audiência em novas perspectivas sobre deficiência por meio de filmes, atividades interativas, imagens e discursos institucionais. Neste artigo, analisam-se os filmes cujo tema central é a síndrome de Down, exibidos entre 2003 e 2013, com o objetivo de examinar o tipo de construção narrativa e as imagens e os significados sobre pessoas com essa condição que são veiculados no festival. Foram utilizadas estratégias etnográficas no tratamento do material empírico e procedimentos semióticos de leitura isotópica na sua análise. Foram identificados três núcleos narrativos principais que acompanham o desenvolvimento teórico sobre deficiência, sendo que um deles apresenta-se alinhado com o que tem sido denominado de ‘estética da deficiência’.

Activist Film FestivalsDisability Film Festivals: Biological Identity(ies) and Heterotopia (capítulo no livro Activist Film Festivals, 2016)

Activist Film Festivals

Este capítulo examina o papel político dos festivais de cinema sobre deficiência, usando como caso o Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência Assim Vivemos, que acontece no Brasil desde 2003. Considerando esse tipo de festival como um espaço para produção de verdade sobre pessoas com deficiência e a sua contribuição para o fortalecimento de novas subjetividades, o texto parte da noção de heterotopia de Michel Foucault para desenvolver o argumento de que o festival brasileiro pretende ser um outro espaço, que pode ser definido como heterotópico, para exibir diferentes realidades sobre indivíduos com deficiências e demarcar novos entendimentos sobre os corpos humanos. Ao fazê-lo, o festival exerce uma influência sobre a percepção e a conduta dos espectadores, por meio dos filmes, de estratégias formativas e imagens e discursos institucionais, que contribuem para formar uma audiência em termos éticos e políticos com relação à deficiência.

necsus-logoBrazil’s International Disability Film Festival Assim Vivemos (artigo, 2014)

NECSUS – European Journal of Media Studies

Tomando como ponto de partida a 6ª edição do Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência Assim Vivemos, realizada em 2013, este artigo discute algumas questões relevantes para o campo da deficiência, sob a perspectiva teórica de Michel Foucault.

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capa_verticedoimpensavel_topo_0Vértice do impensável: um estudo de narrativas em síndrome de Down (livro, 2012)

Editora Fiocruz

O propósito deste livro é analisar as imagens culturalmente produzidas que são disseminadas em narrativas escritas e iconográficas sobre síndrome de Down (SD), tais como filmes, campanhas, livros e blogs escritos por pais de crianças com SD e artigos em jornais e revistas publicados entre 2000 e 2009. Foi adotada uma atitude etnográfica diante do material coletado, com ênfase no conteúdo implícito. O material foi submetido à análise semiótica, com uso de procedimentos metodológicos baseados na análise isotópica de Algirdas Julien Greimas, e sua representação gráfica, o quadrado semiótico, como técnica analítica complementar.

Neste livro, a SD é entendida como uma paisagem biológica emergente na biopolítica contemporânea, sendo levado em consideração como as características peculiares desta última influenciam o processo de produção de verdade sobre os indivíduos com SD. O livro oferece uma análise crítica sobre os movimentos sociais, e seus produtos, relativos a esses indivíduos, e discute o processo de construção de identidade na presença de uma condição genética. A análise torna explícita uma ideia socialmente construída e interativa sobre a pessoa com SD, ideia essa que se expressa por meio de significados, atitudes, valores e crenças presentes nas narrativas.

Meu trabalho se situa na interseção entre as Ciências Humanas, as Ciências Sociais e a Saúde Pública, sendo de interesse para estudiosos dessas áreas, bem como para os Estudos sobre Deficiência e os Estudos Culturais. O livro provê elementos para a discussão de como os conhecimentos especializado e não-especializado se entrelaçam para moldar significados sobre a SD. Além disso, contribui para o atual debate sobre cidadania biológica e o governo da vida.

RBEMDiscursos médicos em construção: um estudo com residentes em Obstetrícia/Ginecologia do Instituto Fernandes Figueira/Fiocruz (artigo, 2009)

Revista Brasileira de Educação Médica

Este estudo discute a construção do discurso especializado, a partir do verbalizado por médicos após dois anos de residência médica em Obstetrícia/Ginecologia no Instituto Fernandes Figueira, Fundação Oswaldo Cruz. A pesquisa foi operacionalizada em duas etapas: observação participante de reuniões clínicas da Obstetrícia e da Ginecologia e construção de fontes orais. Foi realizada análise semiótica das notas de campo e do material transcrito das entrevistas. Os resultados giram em torno de dois eixos: a caracterização do perfil do médico obstetra/ginecologista e a convivência com o normal e o estranho no contato com as pacientes, como integrantes da construção do discurso especializado, no ambiente escolhido para a pesquisa. Conclui-se que a residência conduz ao discurso especializado, escudado, principalmente, na utilização de exames complementares, como os que fornecem imagens, visto que tais exames são percebidos como revelando objetivamente o corpo real. Tal fato infunde segurança nos residentes, mas, por outro lado, afasta-os da atenção à escuta da história da paciente e da composição da narrativa médica, fragmentando o processo de exercício da semiologia clínica.

CSPMulher, Medicina e tecnologia nos discursos de residentes em Obstetrícia/Ginecologia (artigo, 2006)

Cadernos de Saúde Pública

Este estudo objetivou explicitar os significados culturais sobre a mulher e seu processo de adoecimento que estão presentes nos discursos médicos de residentes em Obstetrícia/Ginecologia do Instituto Fernandes Figueira, Fundação Oswaldo Cruz. A pesquisa foi realizada em duas etapas: observação participante e construção de fontes orais. Tendo como referência o modelo indiciário, o procedimento técnico-metodológico utilizado incluiu uma codificação analítica qualitativa das entrevistas e posterior análise semiótica. Os resultados apontam para: (a) a percepção da mulher como essencialmente mãe, cujo processo de adoecimento é focado prioritariamente em sua função reprodutiva; (b) o crescente aumento do uso de tecnologia, sobretudo nos exames por imagem, provocando um distanciamento do eixo semiológico da Medicina; e (c) a medicalização, inserida no contexto biotecnológico, como envolvendo práticas materiais-semióticas.

Interface v-10-n-19-jan-jun-2006Médicos residentes e suas relações com/e no mundo da saúde e da doença: um estudo de caso institucional com residentes em Obstetrícia/Ginecologia (artigo, 2006)

Interface – Comunicação, Saúde, Educação

Investiga-se a percepção dos médicos que concluíram a residência em Obstetrícia/Ginecologia no Instituto Fernandes Figueira, Fundação Oswaldo Cruz, em 2004, sobre essa trajetória. A pesquisa constou de duas etapas, observação participante e construção de fontes orais, procedendo-se a uma codificação analítica qualitativa de todo o material coletado para posterior análise semiótica. Busca-se compreender a herança cultural enraizada no discurso dos residentes sobre suas relações com/e no mundo da saúde e da doença, em particular: desvalorização da profissão, ressentimento pela perda de poder do saber médico, percepção da medicina mais como negócio do que como ofício, incertezas pela duplicidade de papéis – aluno e profissional, dificuldade diante do sofrimento e da morte.